• Trânsito 08/06/18 | 09:02:26
  • Frota de veículos deve chegar a 5 milhões até o fim do ano em SC
  • Estado ganha entre 12 mil e 17 mil novos emplacamentos a cada mês
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  • Fonte/Autor: Diário Catarinense
  • Foto: Imagem ilustrativa/Google

Santa Catarina terá mais de 5 milhões de veículos em circulação nas ruas até o final do ano. A frota do Estado já é de 4,9 milhões e ganha entre 12 mil e 17 mil novos emplacamentos a cada mês, conforme o Detran/SC. Nesse ritmo de crescimento, a marca dos 5 milhões deverá ser alcançada entre outubro e dezembro.

Como SC tem 7 milhões de pessoas, de acordo com o IBGE, a proporção atual chega a dois veículos licenciados para cada grupo de três habitantes. É como se toda casa com três moradores tivesse dois carros na garagem.

Em 2003, havia apenas um veículo em circulação para cada três catarinenses. Mas o crescimento percentual da frota em Santa Catarina foi seis vezes maior do que o aumento populacional na última década e meia. Caso essa taxa se mantenha, o Estado pode chegar em 2030 com 7 milhões de veículos circulando. A projeção do IBGE é que sejam 8 milhões de pessoas.

Sem investimento em infraestrutura na mesma proporção, as condições de mobilidade a longo prazo são um ponto de interrogação. Especialistas ouvidos pela reportagem entendem que o cenário é preocupante e que as soluções devem priorizar os transportes de massa.

- A falta de mobilidade é em decorrência do incentivo ao transporte individual em detrimento do coletivo. Não se investe em transporte coletivo - avalia a educadora de trânsito e especialista em planejamento e gestão do trânsito em Santa Catarina, Márcia Pontes.

A cultura do carro próprio e os planos econômicos voltados a facilitar o poder de compra impulsionaram a expansão da frota de veículos, aponta Márcia, em especial nas regiões desenvolvidas como Santa Catarina. Por outro lado, ela observa que não houve planejamento adequado na maioria das cidades para dar vazão ao fluxo de veículos.

O entendimento é de que as grandes obras viárias costumam ser demoradas e têm efeito apenas momentâneo, o que reforça o papel do transporte coletivo como alternativa.

- A engenharia de tráfego não está acompanhando. As ruas não têm para onde crescer. Quando uma grande obra de mobilidade sai, já não resolve. São obras grandes, caras, que esbarram na burocracia. É preciso repensar a engenharia viária a favor do transporte coletivo - destaca.

Mas apenas a oferta de transporte público não basta. O usuário vai preferir o carro ou a motocicleta se for mais cômodo ao deslocamento, observa a especialista. Opções confortáveis, com tarifas amigáveis e variedade de linhas, são requisitos necessários para tornar os modais coletivos mais atrativos.

- As pessoas querem deslocamentos rápidos, seguros e confortáveis dentro do horário - conclui.

 

Malha viária no limite

Porta-voz da Polícia Militar Rodoviária (PRMv) no Estado, o tenente-coronel Fábio Martins observa que parte da malha viária catarinense já está no limite e ainda recebe aumento expressivo de veículos de fora em determinadas épocas do ano. 

Acidentes leves também são observados com maior frequência nos últimos anos, o que também é atribuído ao aumento da frota. Na avaliação do oficial da PMRv, é possível que o rodízio de veículos e outras medidas restritivas tenham de ser aplicadas em cidades como Florianópolis se a demanda não for minimizada por outros meios.

a.

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